30 maio 2006

Herberto

Interrogas-te sempre, e interrogas-te mais uma vez, e sempre - tu que tanto e tão excessivo amor entregas à literatura (não estando em causa a foda ou o esgarçanço, e nos intervalos a bola) -, interrogas-te tu como haveria a Academia de merecer, e guardar, um Nobel que escreve asssim:

«Puseram-me de joelhos, com as mãos amarradas atrás das costas, mas endireito a cabeça, viro o pescoço para o lado esquerdo, e vejo o rosto violento e melancólico do meu pobre Senhor. Por baixo da janela aonde assomou há uma outra, em estilo manuelino, uma relíquia, delicada obra de pedra que resiste ao tempo. D. Pedro deita a vista distraída à praça fechada pelos soldados. Contempla um momento a monstruosa igreja do Seminário, retórica de vidraças e nichos, as pombas pousadas na cabeça e nos braços do marquês, e detém-se em mim, em baixo, em mim que me ajoelhei no meio de um grupo de soldados. O rei olha-me com simpatia. Fui condenado por assassínio da sua amante favorita, D. Inês.»

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Isto é uma charada?

mairiam

2:48 da tarde  
Blogger A Rapariga said...

Vamos explicar?
Bom fim de semana.

4:19 da tarde  

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